OUTRAS CRÔNICAS

Todo dia é dia

Fui o primeiro

 

 
 

 

ANO!?  01 300 800 1020 1890 1958 1967 1976 1891 1987 2000 2005 2007

ESPEDITO LIMA

 

Amigo, ele chegou.
Quem? O Ano. Veio de onde? Trouxe o que?
Acorde, você está dormindo; não viu nada, perdeu tudo. O que?  Já terminou a São Silvestre? Quem venceu?
Você sabe que dia é hoje? Se oriente. Pra mim todos os dias é a mesma coisa e todos eles podem formar um ano ou até mais, não acha? Mas diga o que aconteceu;  você estava aonde e com quem?
É amigo, você parece que está fora de sintonia mesmo. Sim, na Nova Zelândia, Baia de Sidney, Japão e Pequim, já é hoje ou amanhã?  E em Copacabana, tocaram fogo no mar; escapou algum peixe? No Farol da Barra, em Salvador, Ivete está por lá? E os Orixás, que dizem? E os supersticiosos?
Amigo, deixe eu lhe dizer, ouça: Nós já estamos em 2008 e hoje é primeiro de janeiro. Ainda bem que o tempo não para e os anos também. Se parar eu vou pra onde? Se ele me levasse, tudo bem; mas já foi e me deixou.
Quem, rapaz? 2007. Já estou com saudade dele. Ele não volta mais? Nunca mais. Será? A procissão e a festa de Iemanjá acabaram?
Sim, rapaz e o carnaval, me disseram que este ano começa em janeiro e termina em fevereiro; dois carnavais num só ano? Nosso País é bom de mais; é uma brasa, mora! Sim, eu moro nele mesmo.
Aliás, este ano, pelo menos em Salvador a coisa vai ser diferente. Estão falando agora numa tal “fusão do carnaval”, ou seja: emendar o festival de verão com o próprio carnaval e a festa de iemanjá. Sim, tem outra, inventaram também o trio fluvial ou aquático. É o carnaval em pleno alto mar. É muita confusão, e loucura também, não acha?
AH! Um lembrete, a vinheta dele (carnaval) já está na telinha (dos sambas enredos). É verdade, já vi. Ela sempre na frente; em matéria de desfile, claro. Ela não abre; alguns pontinhos no IBOP, é óbvio.
Rapaz, o interessante é que o ano passado, andando pelo Brasil à fora, percebi que o carnaval acontece em muitos lugares antes, durante e depois dele. Como assim? São tais de “micaretas”, e a principal e mais famosa é a de Feira de Santana; também pudera, é na Bahia. Lá, ninguém gosta de festa, você sabe disso.
Moço, agora é que me dei conta que já estamos em março, minhas férias e as festas acabaram. Não, tem mais festa, você está esquecido. E o feriadão da semana-santa. ETA, quer que é isso? É verdade amigo, se foi o tempo que religião era coisa séria; no tempo de nossos avós e nossos pais. Hoje, a realidade é outra, ninguém quer saber de padre, nem pastor ou coisa dessa natureza; isso é coisa de ultrapassado. É amigo, mas sem Deus ninguém vive, não é? Ele mesmo foi quem disse (Jesus Cristo) – SEM MIM NADA PODEIS FAZER. E como eu estou fazendo. O que é ruim, meu caro. Basta você olhar o que você fez nestes últimos quase 90 dias do presente ano. Examine-se a si mesmo.
Sim, mas no feriadão vai ter o que? vinhaça, cachaça, festa, peixada; muita comida, muito acidente, muitos feridos e muita morte também. É, então eu vou ficar em casa descansando que este ano eu vou passar os festejos juninos no nordeste, lá em Jeremoabo. E haja festa. Pois é, é isso mesmo.
Onde é que fica este lugar? Na boa Bahia, só podia ser; eu nunca vi um Estado pra gostar de festa igual a Bahia, é o ano todo. Acho que o baiano não nasce em maternidade e sim num salão de festa, num clube ou qualquer casa de show. É por aí, e vamos que vamos.
Um! Meu amigo, você não sabe do que eu me lembrei agora; diga. Este ano de 2008 é o ano das eleições para prefeito, vice e vereador. Um! Um! Um! Um! É meu caro, vamos parar por aqui; a coisa tava até boa, mas mudemos de assunto, que acha? É bom, senão nós vamos enlouquecer, pirar de vez; é verdade. Mas este assunto interessa a todos; a mim não, meu negócio é festa. Mas rapaz, nas campanhas também tem festa. Não, proibiram as festas nos comícios. Que tipo de piada é esta, amigo? Você tá pirado mesmo; só foi falar em eleição, que coisa!
Sim, mas quem são os candidatos em sua terra? Qualquer malandro ou irresponsável que apareça; o povo não liga pra nada mesmo. Tanto faz como tanto fez. O negócio é rolar o din-din, o uísque e a cachaça; o caibro, cimento, colchão, botijão, sapato, vestido e tudo mais, inclusive a mentira. Se eles falarem a verdade, vão ser apedrejados; coitados, a coisa é séria (?), é assim mesmo. É a verdadeira indústria, comércio, bolsa e leilão de (votos).
É meu caro amigo, não vamos chegar ao final do ano não; vamos parar por aqui, a coisa até que tava boa realmente, você foi tratar dum assunto meio complicado, eu vou cair fora, até o próximo ano.
FELIZ 2009.
SIM, FAÇA O SEU ANO.
OK.  
 

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TODO DIA É DIA DE ALGUMA COISA
 

Espedito Lima


Um dia é disso, outro dia é daquilo, e por ai vai; nada fica sem o seu dia. Não interessa o inventou e nem pra que, pelo menos em tese; o importante é que ele exista, o dia de alguma coisa. Os objetivos, é outra história; os interesses, estes estão acima de qualquer dia ou em todos os dias, por isso ou por aquilo.

É dia da mãe, do pai, da avó, da família, do dentista, do médico, do enfermeiro, de tudo e de todos. Pra cada ocasião ou surgimento de algo que venha se transformar em algum lucro, ele surge com toda pompa e orgulho, é o dia.

Por um lado, é pra feriado; por outro, é pra trabalhar dobrado, o fatal (natal) que o diga; semana santa (do vinho e da cachaça) e carnaval (desequilíbrio carnal) também. E vamos que vamos; na primavera, outono, verão ou inverno, em todas as estações ele se faz presente – o dia. Com chuva, com sol, neve ou calor, ele existe de qualquer jeito, não interessa quando e nem aonde.

De repente, também lembraram da água; pra se banhar, pra comercializar, protestar e pra dizer que ela vai se acabar. O dia sofre; tudo é com ele, pra ele e por ele, e todo dia é dia, e haja dia. E o dia dele (do dia) quando será? Será que ele não merece um espaço especial, uma festa pomposa, regada a frases como estas? FELIZ DIA DO DIA; SALVE! Ó GRANDE DIA; OBRIGADO, AMIGO DIA, VOCE É UM GENIO; VIVA O DIA.

Se ele pudesse nos dizer o que ele representa, o que sente, o que acha e o que quer; garanto que teria muita coisa pra dizer. A lamentação seria quilométrica, e no mínimo, pediria: deixem-me em paz, pelo menos POR UM DIA, NEM QUE SEJA NO MEU DIA. Que chatice; é assim mesmo, eu sou importante. Eu sirvo pra tudo e pra todos, talvez menos pra mim; eu não posso me mudar, devo aceitar. Eu sou eu mesmo e sou assim; eu sou o dia de tudo.

Eu sou vendido, trocado, amaldiçoado, abençoado, desprezado, caluniado; sou preto, sou branco, rejeitado, lembrado, esquecido, mas sou o dia. ALGUMA COISA EU SOU; NÃO, SOU TUDO. TODO DIA EU SOU EU MESMO.

ATÉ MEU DIA.